Americanos ministram curso de combate à lavagem de dinheiro

A expertise norte-americana utilizada para coibir e investigar crimes de lavagem de dinheiro está sendo repassada a agentes de segurança pública, representantes do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Receita Federal em Curitiba, durante esta semana. Com 40 horas/aula, o curso faz parte de uma parceria entre o órgão norte-americano e a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná.

O tema é foco do Curso de Investigações Financeiras, que está sendo ministrado na Escola Superior de Polícia Civil, por agentes da Receita Federal dos Estados Unidos, funcionários do FBI (Federal Bureau of Investigation) e do Escritório de Segurança Diplomática – Departamento de Investigações (DSS) do Consulado norte-americano.

Entre os assuntos que serão abordados, ao longo dos próximos dias, estão técnicas para determinar o tamanho do crime financeiro; teoria para provar um crime financeiro; esquemas utilizados para a lavagem de dinheiro; corrupção pública; fontes de informação para investigações financeiras; financiamento do terrorismo e preparação para o terrorismo.

Para o secretário de Estado da Segurança Pública, Wagner Mesquita, essa semana de convivência e troca de experiências vai fortalecer a atuação das polícias do Paraná no combate ao crime organizado. “Esse curso está sendo oferecido a um grupo extremamente profissional, que já trabalha na área de investigação dessa modalidade criminosa há muito tempo. É um grupo formado por delegados, policiais militares, investigadores, promotores, juízes, membros da receita federal, enfim, todas as vertentes do poder público que atuam contra o crime organizado”, disse ele.

O know-how norte-americano na investigação de crimes envolvendo volumes significativos de lavagem de dinheiro também foi destacado pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, um dos 33 participantes da capacitação. “Eu considero muito importante a possibilidade de ouvir, dos órgãos de controle dos EUA, uma série de ferramentas e técnicas novas, porque eles têm um know-how muito grande na investigação e apuração desse tipo de crime, há muito mais tempo do que nós. É um país muito grande, com uma moeda forte, estável, pra onde acorrem valores oriundos dos mais diversos crimes, principalmente do tráfico de drogas”, apontou.

Na opinião do promotor de Justiça Carlos Alberto Dias Torres, também integrante da turma de convidados para o curso, os EUA contam com diversos mecanismos na legislação para coibir crimes financeiros. “Não basta simplesmente prender, desmantelar pessoalmente as estruturas do crime. É preciso também trabalhar no sentido que seja feita uma asfixia financeira”, afirmou.

Participaram da abertura do Curso de Investigações Financeiras, na manhã desta segunda-feira (14), o chefe de Gabinete da Secretaria da Segurança Pública, Roberto Milaneze; o delegado-geral da Polícia Civil, Julio Reis; o delegado-geral adjunto, Naylor Robert de Lima; o delegado-titular da Divisão Policial do Interior (DPI), Valmir Soccio; o diretor da Escola Superior da Polícia Civil, Rogério Lopes; o diretor do Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep), Fábio Amaro; e a diretora em exercício da Agência de Inteligência da Polícia Civil, Maricy Mortagua Santinelli, além de outras autoridades policiais.